Sabe quando você fica com uma pessoa que é muito diferente de você já sabendo que isso não vai dá certo? Isso aconteceu comigo.
Pra começar eu nunca apostei veemente no que alguns dos grandes escritores, poetas e pessoas comuns diziam sentir: amor. Porque eu creio que o amor é uma davida de Deus, então o amor é mutuo, não tem como uma pessoa amar e não ser correspondida, isso não é amor. Logo, a partir dessas minhas conclusões eu pude perceber que eu nuca havia amado alguém, tudo o que eu sempre senti por algum garoto foi só paixão, a qual é muito diferente do que eu chamo de amor. Então o amor pra mim era algo que até então eu nunca me imaginei sentindo, porque pra mim eu teria que encontrar alguém que fosse tão romântico quanto eu, que aturasse a minha parte chata, que me compreendesse, que soubesse me ouvir, que entendesse que assim como qualquer outra pessoa eu tenho defeitos, que me respeitasse, que me aceitasse como eu sou, que gostasse das mesmas coisas que eu, enfim, alguém que não existia.
Eu nunca gostei de ficar com alguém, eu gostava de responsabilidade e compromisso, e eu percebia que o ficar para os meninos é como pegar um copo, usá-lo, amassá-lo, e o jogar no lixo. Eu definitivamente não gostava disso. Mas sei lá, as vezes eu me sentia tão carente, eu precisava de um colo, de alguém que pudesse me suportar, e essas pessoas eram os meus amigos, aqueles com os quais as brincadeiras não tinham limites, até que nós acabávamos ficando, claro que isso não ocorreu com todos os meus amigos, até porque os que eu tinha davam para serem contados nos dedos – de uma mão apenas. Isso fazia eu me sentir mal, porque, querendo ou não, a amizade ia se destruindo a cada beijo, a cada olhar diferente.
Então eu decidi que não iria mais ficar com ninguém, que aquela teria sido a ultima pessoa e/ou amigo que eu teria feito isso. Eu precisava me afastar dele, precisava mesmo, mas eu não fazia a mínima idéia de como eu ia o fazer. Ele estudava no mesmo colégio que eu, na mesma sala. Eu não podia simplesmente o ignorar, até porque por mais que eu quisesse não iria conseguir. O tempo fez tudo contrário, nos aproximou cada vez mais, porém não destruiu os meus planos, porque ele realmente foi ultimo pelo qual eu pus em risco a amizade – por mais que ela não fosse tão intensa o quanto eu queria que fosse -. Mas em momento nenhum eu falei que aquela seria a ultima vez que eu o beijaria.
Com ele eu passei a acreditar no destino, passei até a começar a acreditar no tal do amor, mas, como de costume, agente não deu certo. Ele era totalmente o meu oposto, ainda tinha que me aturar, então ele encontrou em outra o que não via em mim. Ele foi super educado, me chamou para conversarmos, disse tudo o que sentia, e ainda disse que a partir daquela situação em que ele se encontrava pode perceber que é possível alguém gostar de duas pessoas ao mesmo tempo – até hoje eu não me convenci de tal absurdo -, que não tinha acabado o que ele sentia por mim, e principalmente: se aconteceu assim, foi porque tinha que ser assim. Eu deveria simplesmente ter aceitado os fatos e ter seguido minha vida já que o destino quis assim, ma eu acho que o cérebro e o coração não se dão muito bem, então eu comecei a chorar constantemente lembrando-me de todos os momentos que passamos e até mesmo de todas as coisas que ele havia me dito naquele dia. E o que eu mais odiava em mim mesma era que eu não conseguia esconder o que eu sentia, ficava claramente estampado no meu olhar que eu não estava feliz e que a minha felicidade dependia dele. Não se passou nem uma semana direito e já estava atualizado seu status do Orkut: “namorando”, mas o que mais me doeu, o que deu uma grande pontada no meu coração foi ver o nome dela no lugar do meu, a partir daí eu precisava me contentar e aceitar que eu realmente havia sido trocada.
Olhar para ele e não poder o tocar era a pior sensação entre todas. E o que piorava ainda mais era saber que ele sempre esteve em dúvida, sempre me dizia para eu não deixar de o amar mesmo sendo egoísmo de sua parte.
Juntamente com o tempo, eu tentei diminuir a quantidade de lágrimas dia após dia. Até que uma mistura de alegria com alivio tomou conta de mim em um certo dia, ele havia terminado com ela. E sabe quem foi a primeira pessoa para qual ele foi contar? Para mim. Isso significava alguma coisa, eu sei que sim. Eu o esperei por tanto tempo, minha angustia prolongava as horas em dias, então eu precisava o abraçar, o beijar e perguntar se realmente tudo havia finalmente acabado. Mas eu nem precisei disso, ele veio ao meu encontro e nós conversamos. Eu precisava de um sinal que me fizesse ter certeza de que tudo realmente era real, que não era mais um dos inúmeros sonhos que eu tinha todas as noites. Mas não existia esse sinal, eu simplesmente precisava acreditar com a mesma fé que eu acreditei que eu um dia ia poder tê-lo novamente. Ouvi-lo dizer que sentia saudades e que me amava foi a melhor que poderia sair de seus lábios. A partir daí eu comecei a viver ao seu lado aproveitando cada segundo, fazendo com que cada momento fosse único.
E sabe o tal do amor, aquele o qual eu não acreditava que pudesse existir alguém capaz de dividi-lo comigo? Eu o encontrei.
Sabe aquela pessoa que eu imaginava que não existia? Deus me mandou alguém melhor, alguém que além de me entender, me ouvir e me aceitar, é o oposto de mim, e essa diferença ajuda-nos a nos entendermos.
E o destino, lembra que foi ele que nos separou? Então, agora ele nos juntou novamente para mostrar-nos o quão dependentes somos um do outro.
Eu posso, hoje, dizer com plena convicção: Eu o amo com tudo o que sou, esse amor não me deixa mais idealizar uma vida a qual ele não esteja presente, eu o preciso enquanto o sol brilhar. E se vai ser o nosso destino ficar juntos? Só o tempo irá dizer. E eu tenho paciência o suficiente para esperar.
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