Sempre que eu acordava, me olhava no espelho. Eu me sentia bem comigo mesma, gostava da minha aparência, gostava da imagem que refletia. E ao sair notava que todos me olhavam, algumas vezes eu ficava nervosa com alguns olhares, outras eu me incomodava ainda mais, nunca quis chamar a atenção para mim, ser o centro definitivamente não era comigo. Mas apesar do incomodo, era como se eu curtisse tudo isso. Porque quando eu chegava em casa e me olhava novamente no espelho, me via bonita, não o bastante para chamar a minha atenção caso alguém com aquela mesma beleza fosse passando, mas o bastante pra eu ter certeza que aqueles olhares eram realmente de admiração.
Hoje eu acordei, e como de costume, fui olhar-me diante o espelho. Eu não gostei do que vi, não sei o que aconteceu comigo, mas eu não me sinto mais com aquela beleza, é como se a tivessem roubado de mim. A pele não parece mais a mesma, nem o sorriso, nem muito menos a expressão. Eu mudei. Não sei por que e nem como, mas a menina de antes não é mais a de hoje. A pele macia se tornou mais áspera, o sorriso ficou menos largo, e a expressão não é mais de um alguém satisfeito consigo, mas de um alguém em busca de porquês. Talvez nem seja uma discussão relevante, pra você. Mas pra mim é algo que mexe com minha curiosidade, será que é tudo culpa única e exclusivamente do tempo? Será que ele sozinho foi capaz de mudar tanta coisa.Pequenas coisas, mas que juntas se tornaram enigmas... Ou não. Será que eu também tive culpa? Obvio que sim. Eu devia ter cuidado mais de mim, devia ter pensado primeiro em mim antes de pensar nos outros, devia ter me amado e me aceitado como eu sou, e ter acreditado verdadeiramente que eu não posso mudar por alguém egoísta, nem por aquelas que demonstram merecer, porque um dia essas pessoas as quais eu julgo valer a pena mudar o meu “eu” não estarão mais comigo. E a única prova que eu terei de que um dia elas existiram são as marcas que eu vejo refletida no espelho, e também as marcas que não estão no plano de visão de ninguém, mas apenas no meu interior.









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